February 19th, 2010 by Paulo Nuno Vicente

Web 2.0: sobre as narrativas de perigo deontológico

Convém explicar que esta iniciativa não surgiu com o propósito de ser uma “petição”, i.e., um pedido de acção. No mesmo sentido, não se pretende uma oposição – um choque, um confronto em direcção ao vácuo – com o Sindicato de Jornalistas. Estamos em perfeita sintonia nas reivindicações éticas; divergimos, contudo, na forma como se coloca esse debate.

Em rigor, o texto acabou por ganhar forma de petição por ser a forma mais aberta à participação no debate. É “apenas” isso que se sugere: debate, troca de pontos de vista, reflexão séria e colectiva sobre o tema; e isso implica estudo e não é compatível com normativas de fundo ideológico: uma coisa é partirmos de convicções pessoais/colectivas e moldarmos a realidade à sua imagem e semelhança; outra, muito diferente, é partirmos de uma descrição da realidade, organizando categorias, rumos do que existe e, com base nesse apuramento, estabelecermos normativas.

Não avançando demasiado nessa discussão – o que nos levaria a desenvolver um longo quadro de ideias próprias da filosofia política – é  aquele método que organiza a separação entre a Ciência e as várias formas de Ideologia. Da mesma forma, é aquele método que permite estabelecer a diferença entre o Jornalismo e as mesmas concepções ideológicas.

É, “tentativamente”, com base nesta ordem de razões que se justificam os Códigos Deontológicos, as normativas de “objectividade”, as formas de Regulação (da figura individual do “Provedor” às instituições colectivas das “Entidades Reguladoras”).

O que o texto (metamorfoseado em petição) procura é essa distinção: que não nos limitemos a representações desfocadas da realidade social, no caso, da Web 2.0 e das Redes Sociais em Linha.

O Jornalismo não existe fora da consideração dos Públicos para quem escreve, sobre quem escreve e, ideia central neste debate, com quem escreve (Fontes de Informação). É, entre outras, por essa razão que, como escreveu Ryszard Kapuscinski: “os cínicos não servem para este ofício”.

O texto continua para subscrição pública aqui.

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